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Coaching: conheça as verdades e mentiras 

O cérebro precisa de pelo menos 8 abraços por dia
19 de novembro de 2018

Coaching: conheça as verdades e mentiras 

Por Gisliene Hesse* 

Quem é que ainda não escutou falar em Coaching?

A palavra Coaching virou febre na internet, se popularizou no mercado de trabalho e, até mesmo, começou a fazer parte dos investimentos pessoais dos brasileiros. O Coaching é um dos assuntos mais falados no Brasil e no mundo.

Os métodos têm sido procurados por empresas e pessoas que buscam desenvolver suas competências para melhorar seus resultados. O crescimento do setor se deve, por um lado, ao interesse pelo autoconhecimento e pelo desenvolvimento pessoal, por outro, em consequência de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, dinâmico e complexo, em que pessoas e organizações necessitam se reinventar o tempo todo e apresentar diferenciais competitivos para atingir  sucesso e reconhecimento.

Se alguém te perguntasse o que é Coaching, você saberia responder? Apesar da popularidade do termo, muita gente não ariscaria.

De forma clara, o Coaching é um processo de otimização do potencial e do desenvolvimento humano. O objetivo, com a aplicação do Coaching, é aumentar a consciência e a responsabilidade dos indivíduos por meio do desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes.

Para entender mais sobre o assunto, vale conferir o artigo “Guia sobre o significado do coaching” escrito por Wagre Furtado (pesquisador cognitivo, escritor, palestrante e trainner).

Coaching sem limites

O crescimento do setor de Coaching parece não ter limites. Alguns especialistas afirmam que essa ascensão se deve também à aplicação flexível do coaching, podendo auxiliar profissionais dos mais diversos setores, pessoas e empresas de diferentes portes e segmentos.

Outro fator que tem levado o mercado a inflar é a ausência de regulamentação do setor e de fiscalização para os cursos que são abertos.

A área ganhou muitos adeptos e fãs, mas também é alvo de diversas críticas negativas, sobretudo por estar rodeada de indivíduos sem qualificação e pelas inúmeras dúvidas sobre o que realmente envolve o processo do coaching.

O ex-presidente da International Coach Federation (ICF) no Brasil, uma das instituições mais respeitadas do mundo, Jorge Oliveira, em entrevista publicada pela Exame, corrobora o lado negativo desta metodologia ao afirmar que o coaching virou remédio para tudo e tem perdido sua efetiva contribuição.

O coach Felipe Dias (consultor em RH na Néos, Psicólogo, MBA em gestão de pessoas pela FGV e mestre em psicologia pela UFSJ) é mais cético no seu artigo A Farra do Coaching e as Mentiras que te contaram.

“Como coaching é um nome genérico, sem direito de propriedade e sem uma regulamentação específica (por mais que as escolas defendam que é uma profissão), há um contínuo que vai de trabalhos extremamente sérios a um besteirol sem limites e, o maior volume está mais próximo deste segundo extremo”, diz.

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/analytics-3265840_1920.jpg “ alt=“EstatisticaCoaching”/>

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Pixabay

Coaching em números

Dados de 2016 revelados no Estudo Global de Coaching da Federação Internacional de Coach (ICF) confirmam que o mercado conta com 53 mil profissionais no mundo e movimenta por volta de 2,3 bilhões de dólares por ano. Na América Latina e Caribe, 4 mil especialistas exercem a atividade. Eles movimentaram cerca de 92 milhões de dólares, em 2015.

 

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/números-de-coaching-1.png “ alt=“NumerosCoaching”/>

Segundo o estudo, em 2016, houve um aumento de 30% na contratação de coaching no Brasil. Tudo indica que o coaching ainda tem muito pra crescer no país.

Se você acha que já leu ou escutou muito sobre o mercado de coaching, os dados confirmam que existem possibilidades da proporção de coaches aumentar ainda mais no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos, há 40 coaches para cada 1 milhão de pessoas, no Brasil esse número ainda é de seis para 1 milhão*.

 

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/revslider/callcenter/home_callcenter_slider_bg.jpg “ alt=“CoachingExecutivo”/>

A cereja do bolo

Uma das áreas mais valorizadas no mundo do coaching é o executive coaching (Coaching Executivo). Segundo Sulivan França, presidente da SLAC Coaching, “organizações em todo o mundo submetem seus executivos a essa metodologia, pois estão seguras de extrair vários atributos desses profissionais em benefício da empresa. Os principais são aumento de produtividade, desenvolvimento da inteligência organizacional, assertividade das equipes, foco para a solução de conflitos, redução de estresse, melhor envolvimento e comprometimento e melhor performance” (confira mais informações aqui).

De acordo com o Jornal Executive Channel, mais de 40% dos executivos americanos já passaram por um processo de coaching. A Bristol University aponta que 88% das empresas do Reino Unido já utilizam o coaching. Já de acordo com o Inside Business Channel, 70% das empresas australianas contratam coaches.

 

<img src=” agrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/afro-3387294_1920.jpg “ alt=“QualificacaoCoaching”/>

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Pixabay

Qualificação pra quê?

O Estudo Global de Coaching do ICF apontou a falta de qualificação como o maior obstáculo do setor. Muitos indivíduos sem formação e experiência se apresentam como profissionais de coaching.

A proliferação descontrolada de cursos de formação de todos os tipos, alguns deles questionáveis e outros sem expressão ou reconhecimento, é outro motivo que atinge a credibilidade do setor.

O mercado está infectado por promessas de resultados grandiosos em pouquíssimo tempo e as consequências podem ser drásticas. Um processo de coaching desqualificado revolta empresas e pessoas e atinge a reputação do coaching como um todo.

Jorge Oliveira e Felipe Dias afirmam que o processo de coaching não é uma mágica. Para eles, existem problemas sérios. De um lado, as empresas querem acelerar a aplicabilidade e de outro, as pessoas acreditam que um curso de fim de semana fará com que elas se transformem em profissionais qualificados.

“O coaching realmente pode funcionar e fazer a diferença. Quanto menos formação o profissional possui, mais mágico ele tende a se achar. O processo, nesse caso, pode até causar mudanças fantásticas, mas não se sustenta”, alerta Jorge Oliveira (Confira a entrevista completa aqui).

Felipe Dias diz que muitos indivíduos entram na área atraídos pelo dinheiro fácil. “Se você quer estar no lado do trabalho sério, de resultados e com uma renda compatível com suas expectativas, não há fórmulas secretas. Uma boa parte dessa eficiência que você atingirá será medida em horas/bunda. Você precisa estudar muito, ainda assim, será pouco, precisará estudar mais e mais. Estude sobre como as pessoas funcionam, sobre como interagem, produzem, sentem, se comunicam. Estude as ciências do comportamento”, alerta.

A professora Vicky Bloch, também afirma que o profissional que atua como coach deve ser qualificado. “É preciso ter muito preparo, muita experiência e capacidade de compreender o ser humano e o ambiente à sua volta. E ninguém consegue fazer isso com base em cursos de uma semana ou um mês”, destaca em artigo publicado no Valor Econômico.

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/07/sobre-11.png “ alt=“WagreFutado”/>

Wagre Furtado atuando em palestra sobre Coaching para servidores públicos no DF.

Wagre Furtado, que atua como facilitador na Escola de Governo do Distrito Federal, onde criou e ministra o curso Coaching com Autoliderança para Servidores Públicos Distritais, e em  outras escolas de coaching do Brasil, além de institutos de psicanálise,  afirma que seu comprometimento é começar seus cursos trazendo estatísticas que apontam que aproximadamente 2% dos recém formados irão, de fato, atuar profissionalmente com a metodologia do coaching.

Essa informação, no entanto, vai contra as ideias que algumas escolas de coaching utilizam, afirmando que é possível atuar profissionalmente e conquistar a sonhada independência financeira com um curso de uma semana.

Segundo Wagre é nessas ideias mirabolantes que reside o perigo. Pois alunos recém formados, em estado de epifania pós curso, pedem demissão, desistem de projetos em andamento e se arriscam no mercado do coaching acreditando que já estão preparados.

Para Wagre, que possui 8 formações em coaching, além de diversas formações em Programação Neurolinguística, Hipnoterapia, Psicologia Positiva, Inteligência Emocional, Psych-K, Terapia Subliminar e Thetahealing, é preciso comprometimento com a continuidade nos estudos, seja por meio de cursos ou de leitura, para alcançar a maestria e entregar resultados efetivos.

 

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/opposites-3808487_1920.jpg “ alt=“VerdadeMentira”/>

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Pixabay

Reputação

Não existem dúvidas de que o coaching se transformou em uma realidade do mercado. No entanto, as questões tratadas acima colocam em risco a reputação do setor. Vale trazer ao debate a opinião formada pela sociedade em relação ao assunto.

As facilidades tecnológicas e as discussões abertas pela internet e redes sociais influenciaram todos os setores e, o coaching não ficou de fora. A comunicação de todos pra todos peca quando o quesito é veracidade. Muitas notícias falsas começaram a ser divulgadas sobre o setor e gerando polêmicas, principalmente, nas redes sociais.

Existem dúvidas acerca de quem é o profissional que atua na área, o que ele faz, quais as suas competência, quem pode ser coach e em quem as pessoas podem confiar.

Thomas Anselmo Oliveira – Master Coach da SLAC,Bacharel em Teologia (FTBSP); Técnico em Administração (Senac); MBA em Gestão Empresarial (FESPSP) – afirma que “muitas dessas dúvidas se dão, principalmente, pela falta de conhecimento do processo, tanto de quem utiliza a metodologia para ganhar algum tipo de marketing, como para o público em geral”.

Para ele, a ausência de informação sobre o processo tente a enfraquecer a metodologia. “A divulgação banalizada do processo, principalmente nas redes sociais, fez com que muitos criticassem a metodologia, e com razão, pois são muitas pessoas que quando se deparam com um coach não sabem ao certo que tipo de profissional estão lidando. Muitos deles acreditam inclusive que o profissional de coaching é alguma espécie de “guru da sabedoria”, ou entendem que o coach irá resolver todos os problemas do coachee (cliente) trazendo-lhe os melhores conselhos e direção para vida em busca de algum sucesso pessoal ou profissional”, alerta (Confira a abordagem completa aqui).

Na dissertação de mestrado “Mídia digital e conhecimento na área de coaching: contradições na formação e na comunicação da marca profissional”, Gladys Milena Berns Carvalho Prado, traz um panorama em relação a reputação da área de coaching. Segundo o estudo, “observou-se que, de maneira contraditória, há uma desconfiança pública, superficial e generalizada, sobre as ideias e as atividades da área de Coaching”.

Outra questão levantada pela dissertação é a falta de matérias jornalísticas sobre o assunto. Na pesquisa de publicações realizadas no Google foi comprovado que o maior número de informações foi constituído por anúncios publicitários e outros dados divulgados por gestores de cursos e escolas de formação em Coaching. Confira abaixo um trecho do estudo:

“No processo de pesquisa realizado, observou-se que a comunicação sobre Coaching é predominantemente produzida e divulgada por integrantes de empresas e profissionais liberais da própria área, sendo prioritariamente publicitária, com fins comerciais e direcionada aos possíveis interessados em ser futuros clientes ou profissionais. Assim, observou-se que há uma restrição do predomínio da reputação positiva de Coaching ao ambiente corporativo ou ao contexto imediato de prestação de serviços”.

Em relação à percepção do público externo, “as atividades autônomas dos profissionais da área ainda são percebidas como alternativas ou duvidosas”. O público interno (profissionais, professores, alunos e clientes) revelou, predominantemente, uma percepção positiva. Entretanto, parte deste último público destacou que desconfiança no setor.

Confira o estudo completo aqui

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/ballots-1195013_1920.jpg “ alt=“Dinheiro”/>

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Pixabay

Valores exorbitantes

Mesmo com os problemas apontados acima, é nítido o interesse da sociedade pelo setor. No entanto, além de ter que investir em uma vasta pesquisa para saber sobre os profissionais e as instituições que oferecem capacitações qualificadas de coaching, os indivíduos interessados em fazer um curso também esbarram no obstáculo econômico.

O Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) afirma que “o valor da formação pode variar de instituição para instituição, contudo, normalmente, os valores ficam entre R$ 1 mil a R$ 8 mil reais”. Segundo o IBC, essa discrepância nos valores se dá por conta da qualidade do que é entregue para o cliente.

Vale ressaltar que as instituições mais conhecidas do país trabalham com estratégias de vendas arrojadas e setor de marketing que contam com linguagens atuais de persuasão, hipnóticas e diversas técnicas que são ensinadas em seus próprios cursos. Gatilhos mentais, por exemplo, não faltam quando a questão é vender mais.

É um modelo padrão, com investimentos altíssimos e que derruba a tese de que as escolas e os coaches estão interessados em desenvolver as pessoas para melhorar o mundo. Uma boa formação não saí por menos do que 4 mil reais.

Então, o homem moderno de classe econômica baixa ou média pra baixa dificilmente terá a oportunidade de investir em autoconhecimento para evoluir pessoal e profissionalmente. Com a crise econômica, milhões e brasileiros são desvalorizados no mercado de trabalho e estão desempregados.

O Estudo Global do ICF aponta que os três principais clientes do setor são gestores, seguidos de executivos e proprietários de empresas/empresários. Entende-se que o setor é amplamente elitizado.

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/1.png “ alt=“CoachingparaTodos”/>

Novidade em Basília

Na contramão da elitização do setor, Wagre Furtado lançou em Brasília o projeto Coaching para Todos, onde são ministradas formações em BioCoaching, uma modalidade que visa o autodesenvolvimento e crescimento pessoal, no formato de 60 horas, dividido em 3 módulos, onde o investimento em cada módulo segue a ideia de contribuição consciente, com módulos a partir de R$ 50,00 e a ideia clara de que o objetivo não é formar profissionais, mas promover o autodesenvolvimento. “A ideia é deselitizar o coaching no Brasil, oferecendo qualidade a um valor justo, levando essa incrível metodologia àqueles que realmente precisam.” Afirma Wagre.

Conheça mais sobre Wagre Furtado aqui.

 

<img src=” http://wagrefurtado.com.br/wp-content/uploads/2018/12/shutterstock_420395068.jpg “ alt=“Progresso”/>

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Pixabay

8 Soluções pra driblar a negatividade do setor

  1. Antes de pensar ou falar alguma coisa negativa sobre o Coaching pesquise sobre o assunto e entenda melhor o processo. Se bem aplicado, o método te trará resultados expressivos na vida pessoal e profissional.

  2. Não acredite em promessas milagrosas como a de que você ficará rico se investir em um curso do setor.

  3. Antes de se tornar um Coach, você precisa passar por um processo de autoconhecimento pessoal. Se você quer se tornar um Coach, você precisará investir muito tempo em estudos;

  4. O mercado está cada vez mais exigente e dedicar seu tempo para um curso de coaching, que é um dos setores que mais cresce no mundo, fará a diferença no seu currículo e na sua vida;

  5. Existem cerca de 10 instituições no setor que prevalecem por sua tradição e tempo de mercado, mas isso não significa que você não possa buscar profissionais qualificados.

  6. Você poderá conseguir um bom profissional, com preço acessível. Para isso precisará pesquisar seu currículo, pedir referências e até mesmo conversar com o profissional;

  7. Não compre a opinião de pessoas que não entendem sobre Coaching e também não tire como base somente o que os profissionais e as escolas falam. Novamente, procure entender sobre o assunto para não cair em armadilhas desagradáveis;

  8. Procure cursos com valores mais acessíveis. Existem profissionais muito experientes que trabalham com valores que valem a pena.

*Gisliene Hesse é jornalista, mestre em comunicação e multimídia e diretora geral da Hesse: Projeção de Talentos.

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